Realmente é uma grande
ironia falar em “Outubro Rosa” referindo-se as campanhas de prevenção ao câncer
de mama, quando a maioria dos municípios no Brasil não tem um mamógrafo sequer.
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terça-feira, 13 de outubro de 2015
A VOZ DAS MULHERES NO PRÊMIO NOBEL 2015
A
cientista chinesa Tu Youyou, 84 anos, se transformou na segunda-feira (5-10-2015)
na primeira mulher chinesa premiada com um Nobel e a primeira cidadã do país a
conquistar o prêmio na categoria "Medicina".
sexta-feira, 10 de julho de 2015
A NORMALIDADE DO PODER
A normalidade do poder
A normalidade do poder, a noção de que um servidor público é
apenas um servidor público, seja um escriturário ou o
presidente/primeiro-ministro da nação. Eles continuam sendo homens e mulheres,
maridos e esposas, pagadores de impostos, trabalhadores e
cidadãos. Cidadania é isso.
Compartilho aqui um excelente texto divulgado na internet e
atribuído à Marcus Vinicius Motta:
"Outro dia eu li uma excelente reportagem da New Yorker
sobre a chanceler alemã Angela Merkel, onde o jornalista buscava entender as
razões para o seu sucesso - chega a ser chamada de "mutti" (mãe)
pelos alemães - num país que tomou aversão por cultos à personalidade.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
PROTESTAR OU NÃO PROTESTAR, EIS A QUESTÃO
(Por: Karina Kramer - Ver Quem Somos)
Pela batalha das
hashtags, por enquanto parece que não vai ter Copa, pelo menos no campo
virtual. Desculpe Seleção, não é nada com vocês, mas sim, estamos protestando
contra uma doença endêmica que nos atinge há séculos, e que alcançou
seu ápice agora durante a preparação para Copa: a CORRUPÇÃO.
terça-feira, 24 de junho de 2014
QUE AMOR É ESSE?
(Por: Ivana Negri - Ver Quem Somos)
Já
viram coisa mais boba do que amor de mãe? Não consigo conceber criatura mais
tola e masoquista do que mãe. Chora, sofre, angustia-se, desespera-se, passa
noites em claro, mas não reclama e ainda trabalha com um sorriso nos lábios e o
coração está sempre cheio de esperança. Só fica feliz em função da felicidade
dos seus afetos.
Tudo
começa quando aquela criaturinha microscópica se aloja em seu útero, com sua
anuência, é claro. E já não será mais a mesma por todo o sempre. Primeiro, o
ser rouba-lhe as formas e alimenta-se do
seu sangue. Depois que nasce, como um parasita, suga seu seio para sorver o
leite. Reclama atenção, chora e a faz perder noites e noites de sono. Mas mesmo
assim, ela o ama cada vez mais com veneração. Deixa de sair, de comprar coisas
para si, tudo gira em torno dele e dos outros que vão surgindo. Seu coração é
elástico, quantos vierem, recebem a mesma dose de atenção e carinho.
segunda-feira, 26 de maio de 2014
"PIZZA E COPA" É A VERSÃO BRASILEIRA PARA "PÃO E CIRCO"
(Por: Karina Kramer - Ver Quem Somos)
Esta imagem de uma criança faminta, sem nada para comer, mas
com uma bola de futebol no prato, é obra do artista de rua Paulo Ito, ele grafitou
em 10 de maio no muro de uma escola no bairro da Pompéia em São Paulo, e sua
obra tornou-se “viral”, foi compartilhada mais de 50.000 vezes no Facebook. E
como estamos com os holofotes do mundo sobre nós, nesse momento de Copa do
Mundo, esse desenho correu o mundo, foi publicado em jornais internacionais
comoo britânico The Independent, os americanosThe Huffington Post e Slate Magazine.O artista Paulo
Ito que grafita há 14 anos, acaba de ficar internacionalmente conhecido.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
GUERRA E PAZ? MAIS GUERRA DO QUE PAZ
(Por: Karina Kramer - Ver Quem Somos)
Guerra
e Paz, uma das obras mais conhecidas de Cândido
Portinari, um dos pintores brasileiros mais célebres no
exterior e teve os painéis encomendados pelo governo brasileiro para presentear
a sede da ONU, em 1956 e,desde então, os
painéis estão em exposição permanente no prédio das Nações Unidas em Nova York,
nos Estados Unidos. A obra Guerra e Paz são 28 placas de
madeira que formam os dois grandes painéis que simbolizam a devastação da
guerra e a beleza da paz.Medindo 14 metros de altura por 10 metros de largura,
são 280 metros quadrados de uma obra-prima.Atualmente encontra-se
exposto no Grand Palais de Paris.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
LYGIA FAGUNDES TELLES
Lygia Fagundes Telles, nascida Lygia de Azevedo Fagundes é uma escritora brasileira, galardoada com o Prêmio Camões em 2005.
Nascimento: 19 de Abril de 1923
Nascimento: 19 de Abril de 1923
AS RENDAS DE MINHA AVÓ
Não tive muito contato com minha avó materna, que faleceu quando eu contava apenas cinco anos de idade. Mas através de minha mãe, eu e minhas irmãs e irmão, ouvíamos atentos as sagas familiares que ela ouvira desde criança.
Minha avó aportou no Brasil, recém casada, vinda da Itália, aos dezoito anos.
Nunca mais retornou ao seu país de origem que ficou guardado na memória e nas lembranças de infância.
Uma mulher muito bonita e determinada que enfrentou inúmeras dificuldades num país estranho, costumes e língua bem diferentes e a saudade que teve de amargar pelo resto da vida da sua terra natal.
Os filhos foram chegando. Treze ao todo, mas vingaram dez.
sexta-feira, 11 de abril de 2014
AQUARELISTAS DE SÃO PAULO - ARTE EM PAPEL
Caraguatatuba recebe os artistas
aquarelistas e construtores de arte em papel, diretamente da capital paulista.
Um naipe de renomadose sensíveis
artistas com 12 a 40 anos de carreira vêm abrilhantar nossas exposições no
MACC.
São eles : Diana Martire, Kamori, Guilherme de Faria, Kalanit , Norberto Stori, Ida
Zami,Malu Montesinoe LuísCastañón.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
quarta-feira, 9 de abril de 2014
CURIOSIDADES DA ARTE: A LACA
Você sabia?
Você sabia que surgiu na China, por volta do século VI a.C., a requintada arte da laca. A laca é uma resina obtida através da incisão na casca de árvores originárias do Extremo Oriente. Com um pincel delicado, sobrepõem-se à madeira, ou até mesmo ao papel, várias camadas finas de laca, podendo chegar até uma centena de vezes, dependendo da qualidade do objeto que se queira produzir.
Apesar da sua origem na China, foi no Japão que a laca se aprimorou na arte denominada Maki-e, “pintura polvilhada”, é um tipo de pintura que polvilha ou espalha pó, principalmente de ouro e de prata, sobre laca, utilizando um pincel especial, kebo, ou um pequeno tubo, makizutsu. A técnica surgiu no Japão no Período Nara (710-794).
A laca era aplicada em objetos usados no dia-a-dia, em bowl para arroz copinhos para chás e outras peças utilizadas em requintadas Cerimônias do Chá. Graças a sua capacidade de se submeter ao calor, e não alterar sua qualidade, podemos até dizer que a laca inventada no século VI a.C, equivale ao nosso plástico atual, no que diz a durabilidade e resistência.
As lacas importadas do Extremo Oriente apareceram na França no século XVII, e aplicada no embelezamento de móveis. A laca é também bastante utilizada no acabamento final de instrumentos musicais de madeira devido às suas características acústicas superiores em relação a equivalentes sintéticos.
Lindíssima caixa japonesa no estilo Maki-e, laca com incrustações de ouro, prata e pedras preciosas.
Caixa japonesa feita em laca com detalhes em prata e madre-pérola.
No detalhe desenho de folhas de caqui.
Caixa chinesa em laca com ouro
Biombo chines feito em laca tipo exportação “rouge de fer”.
Caixa de jóias chinesa feita em laca “entalhada”.
Extração da laca
Detalhes de uma caixa japonesa feita em maki-e.
Desenho de folhas no inverno.
Caixa japonesa conhecida como “writing box”, caixa porta pincel e tinta, feita em laca.
Enfeite de cabelo, feito em laca.
Baú japonês em laca.
Karina Kramer
41 anos, formada em Economia pela FAAP. Estudei História da Arte no MASP (Museu de Arte de São Paulo). Durante 15 anos foi assistente de um colecionador de Artes.
DIVINAS
Como escrever sobre a mulher, sendo mulher? Somos tão complexas e simples... Avassaladoras e calmaria... É lógico!!! Depende totalmente do dia. Quando acuadas, o riso e as lágrimas se misturam na face, e isso aborrece o sexo oposto. Somos temperamentais por natureza e, geralmente, traídas pela sensibilidade excessiva. Guerreiras! Brigamos por nossos sonhos. Seguimos o ciclo da lua, apesar da imposição solar do mundo masculino.
Apaixonadas! Desejamos o beijo raro, o beijo que diga tudo... Que acalme os instintos, ânsias, sofrimentos, insensatez. Um beijo quente, sensual, com gosto de juventude infinita, mas adocicado e rude, maduro. Na medida exata pra se eternizar. Somos mulheres felinas... Em determinado tempo, embarcamos na aventura maternal despertando o sexto sentido. Naturalmente nos tornamos mais lindas, misteriosas, iluminadas e sabias. Doamo-nos por completo, e amamos sem medos, sem limites... Mulheres! Matrizes divinas da criação humana.
Marilene Teubner
Poeta e Ativista Cultural Membro da Casa do Poeta e do Escritor de Jales
Poeta e Ativista Cultural Membro da Casa do Poeta e do Escritor de Jales
O MUNDO NAS MÃOS DAS MULHERES
Profissões exclusivamente masculinas estão abrindo espaço para o sexo frágil (frágil?).
Mulheres dirigem ônibus, caminhões, tratores e aviões. Está comprovado estatisticamente que são mais cuidadosas e se envolvem menos em acidentes, pois não costumam dirigir embriagadas e sabem que transportam “cargas preciosas” como bebês e crianças maiores nos seus carros.
Estão cada vez mais envolvidas na política. São advogadas, juízas, médicas, e mesmo trabalhando em dois turnos, em casa e no trabalho, não deixam nada a desejar, ao contrario, se mostram mais sensíveis, mais compreensivas, menos egoístas e mais éticas. O instinto materno nelas é muito forte e costuma aflorar nos julgamentos. Não perdem jamais a capacidade de se indignar.
Mulheres conseguem cuidar da casa, do marido, das crianças, das plantas, do gato, do cachorro, sem deixar de cultivar as amizades, trabalhar fora e ainda reservar um lugar na agenda lotada para cuidar do visual e ficarem lindas, sem perder o glamour. Isso não é fantástico?
Nas prisões, o número de mulheres é sempre bem abaixo do contingente masculino.
Crimes passionais, pedofilia, estupro e maus tratos a crianças e animais, sempre são liderados por indivíduos do sexo masculino.
Que estes dados não acirrem uma “guerra” entre os sexos, apenas servem para demonstrar que a mulher pode exercer qualquer cargo com inteligência e capacidade.
Geralmente as mulheres são mais generosas, mais misericordiosas e detestam injustiças. Acostumadas a botar ordem na casa, transportam esse dom ao trabalho. Também habituadas a administrar o orçamento doméstico, fazendo o salário render até o último centavo, saem-se muito bem nesse quesito quando têm que reger uma cidade ou um país.
Mas acredito mesmo, que o mundo tenha que ser governado em dupla, mulheres e homens de mãos dadas, caminhando lado a lado, se respeitando. Que não haja egoísmo e ambos pensem no coletivo e não em ganhos e vaidades pessoais.
Os esquecidos valores morais e espirituais têm que ser resgatados e enraizados nas crianças desde tenra idade. Só esse resgate trará de volta a honestidade e a vergonha na cara que muitos perderam, independente de serem homens ou mulheres.
E viva o salto alto, a meia-calça, o rímel e o batom!
Ivana Negri
Ivana Maria França de Negri é escritora e membro da Academia Piracicabana de Letras, Grupo Oficina Literária de Piracicaba e Centro Literário de Piracicaba.
ILUSÃO PUERIL
Quando criança os livros pululavam
Qualquer semelhança é mera coincidência ”
E suas letras premiam minha presença
Aquietada no sofá da sala
Eu me escondia de mim mesma
Atrás dos autores e suas falas
Que me iludiam em suas fitas
Da então definida literatura .
“Os personagens são fictícios ,
E eu acreditava piamente que o que descreviam
Não sentiam
Não viviam
Eram apenas relatos
De fatos de ouvir contar
Ou imaginar.
Assim seguia crédula e admirada
Da fértil imaginação alheia
Alienada não me apercebia
de que aquilo tudo era vida
passada para o papel...
Carmem Pilotto
CENAS DO COTIDIANO I
A Caminho da creche
Aconchegado ao peito, caminha com seu filho pelas ruas tortuosas da cidade. O cabelo, à escovinha, deixa descoberta a nuca do menino que parece se ressentir da suave brisa de outono. Aperta-o mais contra si como se quisesse energizá-lo para a solitária rotina diária.
O garoto, a sono solto, olhos cerrados, permanece tranqüilo, alheio ao burburinho, segue adormecido no leito mais protegido do mundo.
Carmem Pilotto
CORA CORALINA - 25 DE MAIO DE 2013
Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 - Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poetisa e contista brasileira. Considerada uma das principais escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais),1 quando já tinha quase 76 anos de idade.2 3
Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.
Biografia
Filha de Francisco Paula Lins Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de Jacinta Luísa do Couto Brandão, Ana nasceu e foi criada às margens do rio Vermelho, em casa comprada por sua família no século XIX, quando seu avô ainda era uma criança. Estima-se que essa casa foi construída em meados do século XVIII, tendo sido uma das primeiras edificações da antiga Vila Boa de Goiás. Começou a escrever os seus primeiros textos aos 14 anos de idade, publicando-os nos jornais da cidade de Goiás, e nos jornais de outras cidades, como constitui exemplo o semanário "Folha do Sul" da cidade goiana de Bela Vista - desde a sua fundação a 20 de janeiro de 1905 -, e nos periódicos de outros rincões, assim a revista A Informação Goiana do Rio de Janeiro, que começou a ser editada a 15 de julho de 1917, apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries, com a Mestra Silvina. Melhor, Mestre-Escola Silvina Ermelinda Xavier de Brito (1835 - 1920). Conforme Assis Brasil, na sua antologia "A Poesia Goiana no Século XX", Rio de Janeiro: IMAGO Editora, 1997, página 66, "a mais recuada indicação que se tem de sua vida literária data de 1907, através do semanário 'A Rosa', dirigido por ela própria e mais Leodegária de Jesus, Rosa Godinho e Alice Santana." Todavia, constam trabalhos seus nos periódicos goianos antes dessa data. É o caso da crônica "A Tua Volta", dedicada 'Ao Luiz do Couto, o querido poeta gentil das mulheres goianas', estampada no referido semanário "Folha do Sul", da cidade de Bela Vista, ano 2, n. 64, p. 1, 10 de maio de 1906.
Ao tempo em que publica essa crônica, ou um pouco antes, Cora Coralina começa a frequentar as tertúlias do "Clube Literário Goiano", situado em um dos salões do sobrado de dona Virgínia da Luz Vieira. Que lhe inspira o poema evocativo "Velho Sobrado". Quando começa então a redigir para o jornal literário "A Rosa" (1907). Publicou, nessa fase, em 1910, o conto Tragédia na Roça.
Casou em 1910 com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas, com quem se mudou, no ano seguinte (quando ele, Cantídio, exercia a Chefatura de Polícia, cargo equivalente ao de Secretário da Segurança, do governo do presidente Urbano Coelho de Gouvêa - 1909 - 1912), para o interior de São Paulo, onde viveu durante 45 anos, inicialmente nos municípios de Avaré e Jaboticabal onde nascem seus seis filhos: Paraguaçu, Enéias, Cantídio, Jacintha, Ísis e Vicência. E depois em São Paulo (1924). Ao chegar à capital, teve de permanecer algumas semanas trancada num hotel em frente à Estação da Luz, uma vez que os revolucionários de 1924 haviam parado a cidade.
Em 1930, presenciou a chegada de Getúlio Vargas à esquina da rua Direita com a Praça do Patriarca. Um de seus filhos participou da Revolução Constitucionalista de 1932.
Com a morte do marido, passou a vender livros. Posteriormente, mudou-se para Penápolis, no interior do estado, onde passou a produzir e vender linguiça caseira e banha de porco. Mudou-se em seguida para Andradina, até que, em 1956, retornou para Goiás.
Ao completar 50 anos de idade, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como "a perda do medo". Nessa fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás. Durante esses anos, Cora não deixou de escrever poemas relacionados com a sua história pessoal, com a cidade em que nascera e com ambiente em que fora criada. Ela chegou ainda a gravar um LP declamando algumas de suas poesias. Lançado pela gravadora Paulinas Comep, o disco ainda pode ser encontrado hoje em formato CD. Cora Coralina faleceu em Goiânia. A sua casa na Cidade de Goiás foi transformada num museu em homenagem à sua história de vida e produção literária.
Primeiros passos literários
Os elementos folclóricos que faziam parte do cotidiano de Ana serviram de inspiração para que aquela frágil mulher se tornasse a dona de uma voz inigualável e sua poesia atingisse um nível de qualidade literária jamais alcançado até aí por nenhum outro poeta do Centro-Oeste brasileiro.
Senhora de poderosas palavras, Ana escrevia com simplicidade e seu desconhecimento acerca das regras da gramática contribuiu para que sua produção artística priorizasse a mensagem ao invés da forma. Preocupada em entender o mundo no qual estava inserida, e ainda compreender o real papel que deveria representar, Ana parte em busca de respostas no seu cotidiano, vivendo cada minuto na complexa atmosfera da Cidade de Goiás, que permitiu a ela a descoberta de como a simplicidade pode ser o melhor caminho para atingir a mais alta riqueza de espírito.
Divulgação nacional
Foi ao ter a segunda edição (1978) de Poemas dos becos de Goiás e estórias mais, composta e impressa pelas Oficinas Gráficas da Universidade Federal de Goiás, com capa (retratando um dos becos da cidade de Goiás) e ilustrações elaboradas pela consagrada artista Maria Guilhermina, orelha de J.B. Martins Ramos, e prefácio de Oswaldino Marques, saudada por Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil, a 27 de dezembro de 1980, que Aninha, já conhecida como Cora Coralina, ganhou a atenção e passou a ser admirada por todo o Brasil. "Não estou fazendo comercial de editora, em época de festas. A obra foi publicada pela Universidade Federal de Goiás. Se há livros comovedores, este é um deles." Manifesta-se, ao ensejo, o vate Drummond.
A primeira edição de Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais, seu primeiro livro, foi publicado pela Editora José Olympio em 1965, quando a poetisa já contabilizava 75 anos. Reúne os poemas que consagraram o estilo da autora e a transformaram em uma das maiores poetisas de Língua Portuguesa do século XX. Já a segunda edição, repetindo, saiu em 1978 pela imprensa da UFG. E a terceira, em 1980. Desta vez, pela recém implantada editora da UFG, dentro da Coleção Documentos Goianos.
Onze anos depois da primeira edição de Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais, compôs, em 1976, Meu Livro de Cordel. Finalmente, em 1983 lançou Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha (Ed. Global).
Cora Coralina recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFG (1983). E, logo depois, no mesmo ano, foi eleita intelectual do ano e contemplada com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores. Dois anos mais tarde, veio a falecer. A 31 de janeiro de 1999, a sua principal obra, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, foi aclamada através de um seleto júri organizado pelo jornal O Popular, de Goiânia, uma das 20 obras mais importantes do século XX. Enfim, Cora torna-se autora canônica.
Livros e outras obras
• Estórias da Casa Velha da Ponte (contos)
• Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais (poesia)
• Meninos Verdes (livro)|Meninos Verdes (infantil)
• Meu Livro de Cordel
• O Tesouro da Casa Velha
• A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu (infantil)
• Vintém de Cobre
• As Cocadas (infantil)
• Cora coragem Cora poesia (Biografia de Cora Coralina escrita por sua filha Vivência Brêtas Tahan)
• Villa Boa de Goyaz
• O prato azul-pombinho (infantil)
Carmem Pilotto
CONFLUÊNCIAS DE ABRIL
Folhas acobreadas desenham um redemoinho de ressequidos pensamentos. O bailar do outono contempla senilidade e noites densas de angústias mal dormidas. No coração, coronárias comprometidas juntam-se ao melancólico amargor da avançada idade. A janela é de vidro opaco que não incomoda pela visão parcial do mundo, faltam focos óptico e neurológico que tragam respostas aos anseios dos oitenta anos.
A saúde é acompanhada pelo despertar diário e a insípida degustação de aveia, farelo de linhaça, pão integral e tantos outros itens de obrigatoriedade médica, no caso, cinco enormes comprimidos alopáticos. Há muito deixou de acreditar em homeopatia ou antroposofia. Os limites do salário de aposentado contemplam uma casa modesta, faxineira eventual, carro popular, roupas de liquidação.
Os amigos ignorados. Muitos já se foram. Aos que restaram: Alzheimer, Parkinson, depressões e restritas possibilidades de interações que tragam algum alento, ou vontade de revê-los. Suspiro. Desalento.
A família presente em datas festivas, rápida e superficialmente carregados com caixas de cestas das rotisseries abastadas. Bobagem. Triglicérides e diabetes impedem qualquer apreciação compulsiva. Papilas gustativas insossas.
Reminiscências, reminiscências, reminiscências... da paixão de seus braços abandonados naquela linda tarde de agosto. Sabor de desvanecimento pela felicidade de outrora, aos poucos a sinestesia daquele momento foi se esvaindo pelo desgaste das juntas e das ilusões. Ossuário ambulante - antítese da propagada “qualidade de vida – expectativa” .
Carmem Pilotto
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